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Leonardo Valente

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Uma pessoa especial... mas comum, inseguro, tímido, receoso, curioso, companheiro, teimoso e assim vai! Ou seja, especial como qualquer um de nós é... Afinal como diria Drummond: "Existir: seja como for".

Leonardo Valesi

"Sem a música a vida seria um erro" Nietzsche
Olá, seja muito bem-vindo(a) ao meu espaço pessoal, virtual, interacional e vocacional.
Aqui é possível se confrontar com sentimentos inominados.
Não que eu seja pretensioso, mas a escrita tem uma facção de atravessamento, aí eu me apodero para ocupar este lugar.
Antes mesmo de me pré.ocupar em nomeá-lo.
Se quiser estar ao lado, saiba que aqui é o lugar, onde podemos tê-lo nosso.
Afetos, sempre por olhar e serem revistos, re.visitar ao ser... Algo que esbarra numa re.união entre o "meu" e o "seu" tocados ao adentrar.
Enfim, isso é o que proponho!
Sigamos?
 
 
Leonardo Valesi Valente (Minas Gerais, Brasil)
 
 
Acesse o blog nesse link: http://leovalesi.spaces.live.com/blog/
 
 
 
 
......
 
 
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pois infelizmente esse navegador não oferece suporte para visualização compatível.
Sugiro utilizar o Mozilla Firefox ou o Netscape Navigator. Na impossibilidade de instalar um novo navegador,
acesse os textos estratificados por meses, nos links do Arquivo abaixo. Obrigado!!!
 
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6/27/2008

Um desejo (não) faz contorno ao aparecimento que é viver.


Ultimato

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 27 de junho de 2008.

 

 

Sou aquele

que mais gosta de bolo de cenoura com cobertura de chocolate

e de risole de carne

do mundo inteiro!

E sou também

quem mais espera

que toda a distância do mundo

seja esquecida

no instante de um olho aberto,

todo virado

ao olhar

seu amanhecer de sonhos...

De repente,

prometi que aprenderia a jogar xadrez em menos de duas horas.

Para ver

se em troca

eu conseguiria um bolo de cenoura com cobertura de chocolate

só para mim.

E não sei se isso basta.

Talvez

eu me motive

a aprender

em menos de uma hora

tudo aquilo que eu precise para jogar.

Quem sabe?

É possível trocar tudo

por um bolo de cenoura com cobertura de chocolate

tão desejado assim?

Porém,

ainda me lembro

que tanto gosto de risole de carne.

O que fazer

se nada completa

a falta do que gosto?

Talvez eu aprenderia a jogar xadrez.

Ainda seria

aquele que mais gosta de tudo isso no mundo inteiro...

Pelo menos no meu único mundo.

Acho que sim.

Não sei se me entendo ao certo.

Diante do que quero e não sei como querer.

Só me resta

encurtar todas as distâncias

que aumentam minha fome

e daí

fazer o olhar, perdido à procura,

ter encontro com sonho.

Pode ser que o bolo de cenoura com cobertura de chocolate,

a partida do xadrez

e até o risole de carne

venham me encontrar.

Vou ver se decido aqui...

5/25/2008

Somos eternos cultivadores do amor

 
 
 

Poesia de Tempo Presente

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 25 de maio de 2008

 

 

Quando chegou

o rumo se fez

ao retiro da dúvida

No caminho

era acolher sentido

e afinco de moradia

Que soube plantar

na colheita de sorriso

Deu um fim

ao esquecimento sem beira

Enquanto vinha,

carregou um aroma

de novo dia

Para abrir os arredores do medo

é que se deixou morar

Eu quis primavera antes do tempo

E esteve ao lado por cultivar

grão de sentimento doado

Ensaiou comigo

uma reta feita pra durar

Por isso houve cor

depois de castigo

Sozinho

desfiz uma espera de fio vazio

Por acontecer

o escrito de manhãs

que nos encontramos

Que o sertão

recolhe em nós

um pertencimento

Se no chão

é ponto nascente de aconchego

Lá as raízes

brotam o que temos

de ser um do outro

O que nos reúne

é para além de fronteiras

Quando remendo de nós

É esse desejo escolhido

Suspenso fica

o que precisa de reparo na gente!

Só sei que amor

é tudo o que tenho por viver

Em todo lugar

é como estar ao lado

Uma lida

sonha por cada palavra

docemente entregue

Vejo nossa vida

abençoando

o destino inteiro...

E seu afeto

fez esteio

de caminhada

Entendi que é no céu

que encontro um tom perfeito

de permanência

Eixo é respingo da lágrima,

que chegou na véspera.

Verde só pode ser

a sua vez

que já trouxe calmaria bendita

Isso que vê acrescenta luz!

São marcas

outras testemunhas

que guardo no asilo onde o espero

Olho por dentro

e mais aceito seu sorriso

Vou além

do que o tempo

não sabe esconder de nós...

E caminho

ao seu encontro

mais cedo que pude

Ensina-me

no fim

que um momento assim

reabre a vida que juntamos

aprendizes de entrega farta

E são as mesmas mãos que curam,

essas que nos plantam todo dia?

Maneira insistente,

de consertar o que não tem jeito,

vai recordar o que fazer aqui

É um jeito

que nos segura

confiança por cima do peito

Nessa cidade

que nos incendeia de fé

pelos caminhos tão a sós

Pois quando retorna,

são as luzes do sertão

nossa melodia de plantio

E poesia renasce

para o eterno presente

que é todo por viver em nós mesmos

- entregues ao ser jardineiros de amar.

 

 

 

 

Deu um fim ao esquecimento sem beiraE o caminho fez esteio de caminhadaE são as mesmas mãos que curam essas que nos plantam todo diaEixo é respingo da lágrima, que chegou na véspera.Em todo lugar é como estar ao ladoEnquanto vinha trouxe um aroma de novo diaEnsaiou comigo uma reta feita pra durarEnsina-me que um momento assim reabre a vida que juntamosEu quis primavera antes do tempoIsso que vê acrescenta luzMinha maneira insistente de consertar o que não tem jeito vai recordar o que fazerNessa cidade que nos incendeia de fé pelos caminhos tão a sósNo caminho era acolher sentido e afinco de moradiaO que nos reúne é para além de fronteirasOlho por dentro e mais aceito seu sorrisoPara abrir os arredores do medo é que se deixou morarPois quando retorna são as luzes do sertão nossa melodia de plantioPor isso houve cor depois de castigoQuando chegou o rumo se fez ao retiro da dúvidaQuando sustento de nós é um desejo escolhidoQue o sertão recolhe em nós um pertencimentoQue soube plantar na colheita de sorrisoSão marcas que guardo no asilo onde vivoSe no chão é nascente de aconchegoSei que é no céu que encontro um tom perfeito de ficarSó sei que é tudo o que tenho por viverSozinho desfiz uma espera de fio vazioSuspenso fica o que precisa de reparo na gente!Vejo nossa vida abençoando todo o destino...Verde é cor sua que trouxe calmaria benditaVou além do que o tempo não sabe esconder de nós...

 

1/18/2008

Dar vazão ao plantio em seguir tal pássaro de vida livre...



Extravasamento

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 18 de janeiro de 2008

 

 

Para inspirar e transparecer é preciso fazer um chão.

 

Para arriar o medo é emergencial pular mais alto que o sonho.

 

É que saber amar é para quem voa,

 

É que para ter sentido é virar quem carrega sozinho: sol, lua e céu do sertão.

 

Vem um pássaro largo me diz que desatino é flor sem caminho.

 

Entendo que um beijo pede à flor para ter abrigo;

 

Vejo esse beija-flor rumar por onde a razão deixa de ser tão rasteira!

 

Ele quer fazer da flor o seu monumento de vida

 

Enquanto recrio asa e desenho ligeiro uma pétala de vôo

 

Para ir além do chão que me desafio,

 

Não me quero preso quando o sonho voltar

 

Logo depois de eu vencer tudo que ainda agonizo.

 

Sei, com o aprumo de pássaro,

 

Da liberdade de ser e do sonho de ficar muito além de mim.

 

Assim, sigo se devo e ergo um peito cheio de contentamento:

 

Ressoando sem rumo quando floresço um caminho

 

E me inspira à transcendência de toda espera que vivo!

 


11/8/2007

O desejo é o desejo do outro?




Querela

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 08 de novembro de 2007

 

 

Em meio ao ser,

riscar-se de vir-a-ser,

desacomodar-se tanto

a ponto de ser um outro de si,

inaugurar-se enfim.

 

E jamais esquecer-se

que outro é quem

vem ao tirar-nos chão

e todo alívio;

ele não traz consigo

nenhum entendimento.

 

Desejar o outro

é perdição,

quando sabemos

que aquele a quem queremos

vem e nos toma

tudo de novo:

- e faz sem razão.

10/31/2007

Uma flor perene no jardim vivido



Ana,


Os caminhos são todos da falta

Tudo que existe nos interpola

Parte do que não temos

E desejos que não nos cabemos de ser

Somos seres em meio ao não-ser

Partimos rasgados nas ilhas

Onde nossos sonhos não alcançam cabimento

Então quando olhamos para trás

Não há portas a serem abertas outra vez

Nem mesmo sentido em retornar até lá

Olho adiante, sozinho desesperadamente que estou

Não sinto um eixo que me sustente um saber

Não acalmo meus gritos que caem em cada passada

Penso, aliviado, apenas sobre o seu amor

Sua leveza de doar e calar à paz

Assim, meu amor por você é infinito!

E meu agradecimento deveria ocupar uma palavra de décima potência

Para lhe dizer do quanto preciso tê-la aqui comigo...

Sempre, sempre, seu e minha.


Leo.





10/1/2007

As flores são aprendizes do tempo e me ensinam o caminho dos sonhos!




Vida em Flor se Abrindo

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 29 de setembro de 2007

 

 

O tempo de abrir-se em flor

Alivia de imediato

O medo que tive

Quando outras flores caíram

Levadas pelo vento frio

Agora é tempo novo que vem

Quase tarde, meio de longe

Calando-me com cheiro de pétala

Abertura traz para um mundo refeito

Deu-me um susto de alegria!

Chegou à beira do sonho

Que guardei no olhar meu vagando

Diante à janela

À procura das flores

Forte veio, semeando sinfonia

No passeio que me encantou

Aos jardins em convite de estadia

Vai ensinar-me seu valor das cores

Primavera de vida é sina

Abrindo o meu dia repleto de esperança

Com sonho que tive na véspera

Levando-me à frente,

Acolhida mais farta

Atravessando setembro

Sem castigo de fechadura das flores

Compondo uma canção no silêncio

O tempo é artesão

Outrora atrevido enchendo-me de aperto

Quando foi seco e vazio

O tempo na primavera é enfim esbelto

Quase revolta no baile de copas florindo

Toma fôlego urgente nas sementes voando

Enche tudo na paisagem de redescoberta

Assim, o tempo me desvira numa dança desarmada

Ali, sou uma flor azul tão simples

Que na estação aprende crescer apenas

Mesmo sozinho, eu-flor que vingou

Em busca de outra

No chão faço pintura da cor do céu

Meu canteiro tem essa cor mais altiva

Primavera nos acoberta

A textura do sonho vem de dentro repor todo broto

Vencendo a terra e chegando à mão

Dos jardineiros-amores,

Esses benfeitores de plantio e colheita,

Cultivam os dias de baile

Que a primavera inaugura com maestria...

Enchendo tudo de flor em nós sorrindo

É a primavera pura assunção.

Enquanto os sonhos:

- Ah, companheiros de amar nos jardins!

Saberão abrir, tais preciosos artífices,

As nossas vidas nascentes de novo


9/30/2007

Outubro de 2007 está chegando!!!



Olá!

Sou Leonardo Valente, mineiro do leste de Minas, mas atualmente morador do sertão...

Há muito não parava diante desse meu trono, sim o computador me autoriza conquistar o mundo todo! Continuando: há muito eu não parava e vinha aqui dizer de mim através dessas palavras que todo dia mais desaprendo a arrematar.

É que tenho me enveredado cotidianamente, irrestritamente, absurdamente pelo mundo poético ao qual além de me caber em meus mais de 1,80m e 125kg, cabe também o meu silêncio diante à perplexidade da vida. Eu não lamentaria de ter nascido mudo. Mas não conseguiria viver sendo cego. E confesso a vocês publicamente que eu só enxergo de um dos meus olhos. Por isso nos meus poemas, sempre me refiro como 'o olho', pois sou único no mundo e só vejo a vida por um óculo. Uso óculos sim, mas é para ajudar o outro olho que tenho cego a não ruir de tanta dor. Sim, é um outro limite meu: vivo todos os dias infernalmente com crises de enxaqueca, quase tenho ímpetos de quebrar a cabeça tal se faz com uma castanha e arremessar a dor pela janela. Meus olhos, nisso o meu olho cego também participa são da cor de sangue, vivem mostrando as feridas que tenho por dentro. Mas de tanto silêncio quase me acostumo em tê-los vermelhos sangrando e sinto pedaços de pedras nos meus olhos. E piso fundo onde me vou ver...

Escolhi uma profissão que a todo momento me relembra da minha causalidade. Lido com processos de vir-a-ser e de repente estou eu diante dos meus pacientes aprendendo com eles próprios como viver! Nisso, atravessam-me igualmente: a Terapia do Cotidiano, o Sertão, a Ausência, a Cegueira e a Enxaqueca.

Esses atravessamentos, por incrível que possa parecer, e sem nenhum tipo de crendice ou superstição, têm sempre ocorridos em minha vida durante o mês de setembro.

Não citarei os eventos traumáticos que me deparei nos setembros atrozes, porque faço questão de me manter íntegro e honrado com o que a vida me oferece. Garanto apenas que cada setembro eu venci! Sim, sou Valente no nome e na ação. Minha construção é de super.arte. Faço da minha vida um poema incessante de reposição de ausências com requintes de inauguração e livramento.

Olhei ainda pouco o setembro de 2005, o setembro de 2006 e agora esse setembro de 2007!

Como mudei, meu Deus me ouça em testemunho!!!

E nunca antes outubro me pareceu ser tão florido...

É que nessa luta de vencer o mês das flores, outubro sempre significou um mês de dormir. Era quando eu aprendia a esquecer e hibernar para me acolher de volta.

Mas esse outubro de 2007 eu recebo com o olho mais límpido: - ESTOU FELIZ, ESTOU AMANDO e sinto o quanto sou merecedor desse caminho que agora me surge. Onde as verdades ocupam lugares no cotidiano, tal qual a minha intervenção clínica com os pacientes que reabilito diariamente. E esse meu outubro vem leve com sorriso de criança, traz uma sincronia de espera e de disposição. Coisa que jamais imaginei que fosse capaz de merecer. Porque sempre de tanto sofrer eu só me preparava para o pior na vida: perdas, enganos, maldições e outras pestes ingratas. Porém, esse setembro de 2006 foi uma preparação árdua, quando aprendi a lidar comigo mesmo para preparar a casa, para acolher os sonhos partilhados e para alçar um futuro que guarda esse momento como relíquia jamais abandonada.

Obrigado a todos os que participam da minha vida!

Obrigado à minha família, soberana, efetiva e exemplar... Sempre presente em minha vida!

Obrigado aos colegas de profissão por sermos lutadores no silêncio. Aviso-lhes: a Terapia Ocupacional não será reconhecida nesse milênio. Somos todos devedores diante à Lei Universal do Trabalho. Não é ao acaso que recebemos pessoas afim de ajudar-lhes na reconstrução de suas vidas. Nosso ofício é karmico. Desistamos da profissão se quisermos reconhecimento. Continuemos nela se quisermos evoluir. Mas feliz dia do TO mesmo assim!

Obrigado à mamãe, à Laura, à Ana e ao Francisco! Obrigado a todos.

Amo vocês sempre, sempre.


Leonardo Valesi Valente

MOC, 30.09.2007

9/27/2007

Hão de Ser Apenas Um



Esses dois haveriam de se amar

Encontrariam um na vida do outro

Escapatória dos dias maltratados

E haveriam de juntar os atalhos

Refazer os trapos com desejo de vitória

Caminhariam até onde os muros dobrarem

Tocariam ligeiros seus agasalhos

Marcariam soberanos no calendário

Os momentos feitos p’ra durar suas histórias reunidas

Eles haveriam de retomar o gosto na vida

Seriam os afetos trazidos no sonho até o céu

Conheceriam os efeitos que guardariam de chamego, sorriso e aconchego

Entenderiam o ser de um do outro e seriam únicos no mundo

Caberiam na palma da mão

Na esquina do olho

No meio da tarde repleta de sertão só deles!

Teriam na escuta da noite, acolhida de suas entranhas

Acordariam de jeito afoito para dizer de amor, carícia e retorno

Haveriam de planejar o esgotamento de sua velhice afim

E conheceriam largamente o valor da partilha do que não teriam ou ainda seria espera,

Se esquecessem de voltar para perto

Mas eles foram vivendo da primavera ao verão

Rumaram dali em diante

O resto de fotografia, o gosto de culinária farta e o cheiro do carinho nascente

Guardaram seus tesouros no silêncio do coração

Cometeram a imensidão de suas vidas repletas de alegria

Encantaram os arredores de sua casa com flores azuis

E tingiram de verde as paredes de guardar afeto

Chegaram aliados ao fim, antes souberam que não acabariam ali

Era deles toda a eternidade

Amores não se tardam

São refeitos no desejo que não mingua

Nem cala o que vão viver em tudo o que há

Eles retêm seu lugar de par

 
 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 27 de setembro de 2007


9/20/2007

Há quem saiba limpar-se dos dejetos vividos





Faxineiro

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 18 de setembro de 2007

 

 

Momentos

Me acho

E paro

Quando passo na régua do certo

Meus rascunhos guardados

 

O alcance é dado

 

Amplamente

Me calo

O que me houve dentro

Tomou tamanho de gente

Espaço seu é ilhado

 

Volto dali inválido


Sinto o que existe, não me engano...




Instinto

 

 
Faz algum sentido,

Mais extenso,

Escutar algo que você não diga

Do que aquilo quando mente.

Tudo em seu abrir e fechar dos olhos

Revela-me uma sentença em si primitiva

 
 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 18 de setembro de 2007


9/16/2007

O Mar Sabe Esconder Restos Humanos




Urbanidade na Maré de Pedras

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 16 de setembro de 2007

 

 

 

Mesmo que você não revoe

pela minha janela

Ou tenha me esquecido

como a levada do mar,

indo para nunca mais vir

E ainda tenha dito palavras

tão soltas

que se deixaram carregar no vento

Apesar desse malefício

grotesco

que me engoliu

com afinco de martírio;

Ainda lhe digo:

- Como um banho melhora tudo!

Rebanho minha vida

quando causei em mim a cor de viver de novo

Deixo as águas de sangue

frias

escorrerem o devaneio que ainda me tenho

E rumo nelas

a dor que afogou minha alma

no dia de véspera.

 
 

9/15/2007

Movimentos tribais nossos de cada dia




Existencialismo


Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 15 de setembro de 2007

 

 


Essas formigas levianas

Que atravessam

Alturas fundas de continentes

E se agarram às entranhas

Dos sulcos mais doces

Nos sonhos caçam

Um legado de procura

Ali morrem ilhadas

Onde os pés que têm

Não alcançam saída

Após um encontro por dentro do copo

Resistentes são o que somos



9/13/2007

Verdade mora nas pedras


Compadre

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 13 de setembro de 2007

 

 

 

Trazendo aos galopes

Um sorriso sabia empunhar tudo sem destino

Era Seu Pedro quem ia gracejando:

- Meia pedra, meio tijolo!

Mal ele sabia, derradeiro,

Que sua vida já era muro

bem antes do dia acordar amanhã.

No seco do sertão tudo padece pedraria

Aceita um cafezinho?



Quentura

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 13 de setembro de 2007

 

 

 

Seu Pedro quis café

E me perguntou

Se teria um corajudo

Ou mufinfo

Café quente na tarde queimando

 

Prosa do dia

 

Explicou-me que mufinfo

É igual ser temeroso

Querência vem ajuntando gente

No sertão a vida arde tanto

Que não há um sujeito sem o outro

9/5/2007

O rio que me leva não cessará de chegar




De Viagem



Leonardo Valesi Valente
Montes Claros, 05 de setembro de 2007




que ao seu lado exista paz,
enquanto eu não chegar
que dentro de você risque profundo a certeza do dia próximo,
com alívio de toda espera,
enquanto eu estiver a caminho
que seu coração seja aberto à entrância do céu,
enquanto eu puder voar nos sonhos para revê-lo
vou abrir toda nuvem, carregar sua tristeza para longe
e que suas lágrimas não derramem,
enquanto eu puder amá-lo
daqui de onde vejo-o como meu eleito
e no fim,
que seu desejo não seque,
por que enquanto eu viver irei atrás dele para aliviar minha sede
e amar você p'ra sempre.




Para o meu Francisco...



9/3/2007

Corra, Leo, Corra!!!




Poema em Disparada

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 3 de setembro de 2007

 

 

 

Tácita mania sua

Técnica sem manual

Vai chegando num rumo-desespero

Me toca pictórico

Me balança ptolomaico

Me faz sonhar com a prole dos dias soltos de nós

Desde quando partiu

Reverteu poesia em apetrecho

Aqui um exemplo re.posto

Disparatadamente me perco seu

Injunção tenho com o que vasa

Do olho-telescópio

Quando pegou seu desejo

E colabou no meu

Aguardo canção num esconderijo pensativo

Que me traga uma palavra dita

Ensurdecedora

E me acalme

Na disparada desse poema

Que corre tanto quanto à saudade

Que me vai embora!

Que anda pedindo ensejo

Acalanto e mais

Neblina encontro quando durmo no repouso seu de chegada...

Na hora que sou inteiro à sua guarda

De esperas e encantamento

Coisa que encena o cume

[dessa estratégia feita p’ra eu ser apenas seu

O poema não parou de correr

Revido nele a vontade de acalmar um chamego bom de nós

 
 

8/28/2007

O Ato de Retorno



Ainda pouco
Fechei-me aos olhos de procurar-te
E chegastes bem
Por dentro deles
E quase, numa melodia firme em teus passos diletos,
Senti-me ter afago por d'entre olhos, dentes, creme e café quente
É teu amor que me toca o semblante
Inaugura-me de retorno à tua procura
Quando chega de longe
Teu aceite tenho onde fecho os olhos para te achar
Sempre dentro do que te vejo
Olho teu no meu, sorrindo-nos à arte de amar



Leonardo Valesi Valente
Montes Claros, 28 de agosto de 2007


8/23/2007

Amor no olho até o fim






Miksang



Foi a primeira vez
Que seu olho
Veio e pegou no meu
Quis acudir todo instante
E soube até o infinito
Que saberia
Quando foi essa primeira vez
E jamais conheceria a última
Mudei-me de abrigo
Coube enesimamente comedido
No seu olhar
Além do coração, nossa ponte de ver

Olho bom toca assim
Miksang é para sempre
Seu olho é o bom do amor



Leonardo Valesi Valente
Montes Claros, 23 de agosto de 2007



8/21/2007

Pensamento de Mulher




Efígie



Ela pensou em ser brisa

Correr por meio da gente

Dançar com a calmaria dos olhares

E fazer pétala de lágrimas que pegou na saída

Enchia o semblante de uma carícia

Que nascia de alegria, ao redor de si florescia

Quando assim acolhia sua voz emudecida

E pensou ainda longe

Podia tocar as nuvens, até as que tinham tamanho de estrelas

Enquanto a chamavam à porta

Ela não descia de volta, nem se amortecia de ir embora

Resolveu casar-se noutro dia, ela não se cansava da vida

Seguia por dentro,

Toda reformista,

Pegava a dor dessa lida vazia que tinha

Ao abrir sua janela, utilizava ali uma mesma cal que esculpia seu pensamento

E outra vez mudava de partida

Sozinha retendo-se de brisa



Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 21 de agosto de 2007


8/20/2007

Seu amor me invade




Olhar de Árvore




Ouvi o som do seu amor que soube chegar

Com ele você trouxe

cor além de sombra

E fomos dois iguais a um só sentimento

Renascidos do resto de gente

que já fomos embora

Antes de encontrarmos

a simetria do desejo

que escolhemos morar juntos

Sua chegada ficou no brilho do olho

fez voz com cor de aurora

e espero-o

enquanto vou plantar uma árvore de outono

que nos trará conforto e sombra

aqui no sertão



Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 20 de agosto de 2007


8/19/2007

Poema para uma Amiga Vazia





 

Para Vivian

 

Montes Claros, 19 de agosto de 2007

Leonardo Valesi Valente

 

 

 

 

 

Ela mora sozinha

É de um deslumbramento estranho

Cala a boca

ao invés de calar os murmúrios de seus dias esquecidos

é que deixa de viver o suficiente

sem nem mesmo ter erguido a fronteira do olho

vai embora para além de um calabouço?

esta casa anda muito vazia

assim como é vazia sua voz sem mim

quero sua companhia

que me ajude a invadir todo estranhamento

[de me morar tão ilhado de sua sombra

exercito a voz à sua procura

acalmo os passos quando escuto um “sim”

[que provenha seu desejo por chegar em mim e aconteça!

ando no escuro,

não sei o que me procuro

e com você há encontro-uno

quero uma ponte que nos ilhe além do não-saber nosso de cada dia vazio

vamos ter amanhã uma paz de seguir ao sonho?

E se sonhar só, sonhe a ponto de me contagiar até aqui.



8/18/2007

Pedaços de vida são recompostos no poeta




Mosaico de Vida

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 07 de abril de 2007

 


Ando aprendendo a viver

Coisa de quem

Ajunta em torno

Do eixo de existir

Partições que acomodam

Metáforas de si

 

Colo de início uma grama

Que fez de si um verde-torto

Da cor do mato onde caí

Lá num apetrecho

Que me deixei assombrado

Revi um espaço de plantio

Quando houve seca

 

Pego um rega.dor com alça de anjo

Vou despejar água em flocos

Quando deitarem sobre a tela

Gotas que irão afogar um pranto

Calo no mosaico

As dores que outrora foram gritantes

 

Escolho entre as paisagens

Todas atrozes

Aquela que tiver cor de pássaro

Quero somar na colagem

Um gosto de liberdade

Diferente dos castigos que me imprimi

Repletos de sobrados do abandono

 

O mosaico de agora

É intermédio da montagem

Assim como o café que somente gosto

No leite-com-gotas-de-café-fraco

Para eu dispor da cor que me toma

Gente que vem da terra

Sou na pele uma continuidade do chão

 

Colei outras partes menos soltas

Que criei pelos grafismos de Luz

Recebi-as com lisonja

Foram as que me mandaram

Aprender a viver

E por ora, apenas refaço mais um mosaico

Tenho outros dias para rever se aprendi

 

Vou levar meu artefato

Para longe, numa viagem sonhada

De descidas por entre vales da cor azul

Lá onde o céu tem relevos,

Para meu mosaico concebido vingar,

Que me fazem sentir o cheiro

De espetáculo cinéfilo que só este céu tem!

Deixo o sertão como quem fechou um oratório

 

No mosaico ainda faltam

Destinos suprimidos

Dos dias que fui embora de mim

Vou adiantar-me na invenção

Dos matizes que encontro meios de tecer

Por entre afetos e antepassos que desenho quando sou

Viro ligeiro meu mais delicioso senhorinho

 

E meu mosaico

De vida é para caber o que não existe

Meus abraços nele

São toda a lida de gente

Que coleta milagres nos esteios da partida

E na falta recorta a fome com seu silêncio

 

O mosaico de vida

Existe de re.leitores que desbravam

Fronteiras dos seus olhos

Sabem que ao fechá-los vão mudar

A sina na colagem

Mudam de lugar, viajam nos sorrisos

 

Eu apenas venho com meu mosaico

Incompleto de calafrios

A vida que acompanho nele

Desembola um jeito que tenho

Continuo com a vida para vir-a-ser

Mineiro destemido

Acalmo minha voz e reponho nas mãos

Toda a força que tenho

 

Entrego aqui

Meu mosaico do caminho

Que agora vivo

Sem ter alvo-na-seta e espero

Cá comigo estendido

Que ele não cesse desafio

Quero novos entortos

Para nele viver o que se pode ser.

 

8/17/2007

Coisas para dar cabo à minha resistência com a vida!





Resistência Homeopática

 



essa cueca que anda me apertando, acabei de tirá-la

configurar a nova seleção de músicas do mp3

lembrar-me de disponibilizar os links no blog e

fazer uns atalhos com damien rice, james blunt, the magic numbers, belle and sebastian,

maria rita, gram, los hermanos,

não posso me esquecer do marcelo bonfá, nem do lighthouse family

histórico de navegação apagado, ufa que alívio!

configurados os sites com restrição, bom bloqueio e me controlar enfim

daí esquecer dos links já perversos, tratamento de choque

requentar o café da véspera

modificar a foto com ausência de cor

postar meu poema predileto do manoel de barros ou seria do bandeira?

tem ainda a lispector ou a meireles,

se fico na dúvida é entre ele e ela na hora de me escrever

ver pela enésima vez o clipe de fix u, ebaa!!!

imprimir as fotos para mostrar na web cam, huaaaa...

esses meus risinhos de ironia,  no silêncio

tomar jeito de regime e mudar a senha de acesso à geladeira

postar uma letra de música com a cara da donana

atender o telefone mesmo sem identificação na bina? sei não...

escrever meu poema pelo avesso

todo dia ir à padaria e comprar meu bolo de maracujá, ah o cheiro dele!

jogar fora esses cacarecos no dia de shiva que é no final da tarde

reclamar da chuva molhando os pés que já tenho alagados de tristeza

cantarolar "só deixo meu coração na mão de quem pode"

e ainda saber de quem meu coração é, demais.

não aceitar nenhum estranho no meu orkut,

manter-me mais estranho que o vazio de toda virtualidade

ser inacessível durante três meses no msn

não atender essa bendita campainha da cemig, da telemig, do inferno que me ligue,

pois cansei de ser o morador do primeiro andar!

acho que preciso assistir de novo o primeiro ano de carnivàle

e depois tomar coragem de escrever para a produtora,

ver se eles lançam a segunda série aqui na brasilidade também,

do contrário é baixar um programa de hacker e destravar meu dvd,

aí que meu computador fica mesmo sem memória

vou me lembrar do que convém,

ficar só me deliciando ao voltar do trabalho para a casa

depois ouvir l’avventura do legião

também vou fazer par romântico com a vanessa da mata,

vou dublar o ben cantando com ela boa sorte, que tal?!

risada à parte, preciso mesmo é inovar esta resistência minha

homeopática

que de tão apática

anda lá p’ra’s beiradas de antipática

ali vou me fazer mais pragmático

talvez aliviar as dores que me moldo nesse ponto

que é a vida implicada com o outro

parar de latejar ao me injetar

essas doses diárias resilientes

e nada, nada politicamente convertidas em desconexos

sou livre, vou adiante no tanto que me quero e posso!

 


Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 17 de agosto de 2007

 

 

8/16/2007

Uma encomenda...


Ela na Linha

 

Leonardo Valesi Valente

Montes Claros, 16 de agosto de 2007

 

 

 

Para Eveline...

 

 

  
lerê é uma flor que se renova de cores que só existem nela

tem um nome tão lindo quanto a pétala

o que mais gosto é seu movimento de pêndulo

com força de horizonte por renovar

é assim, entra rápido, corre adiante, muda a vida de lugar

não se faz achar, anuncia quando quer: se lançando numa brisa

e tem voz para ser uma escuta-inteira

ao lado do olho que sabe achar o infinito, irradiando seus passos

muitos encontros tive ao seu lado

de arriscar uns não-saberes

firmar parceria e inebriação

sim, ela é dada às ações e faz interação de trocar vida

já me revelou outro dia, nosso paradigma é o coletivo

somos um do outro, essa vida que é feita para durar na filia

na sofia

na psico

no território

queria mesmo era encontrar um jeito de falar sobre ela

sem erradicar tudo o que ainda não soube até aqui

mas nem me atrevo, adoro quando só ela me surpreende

e me tira do chão com um vôo de rapina

lerê é mulher linda, tenho um desejo danado de morar no desejo dela

colho em cada beijo um carinho de irmã ou de guia

8/12/2007

Há uma ponte suspensa aqui e lá...

 
 
 
 
 
Cotidiano Aceso 
 
 
Leonardo Valesi Valente
Montes Claros,
diante da ponte com o extremo nordeste ligado,
12 de agosto de 2007
 
 
 
 
 
sentei-me ainda a pouco
de frente à cadeira
que você soube preencher
e me enfeitar o horizonte
do olho que sabia caçar o seu
guie-me forte
no cheiro quente
que inventava depois da janta
para se sentar num tempo vivo
pedindo-me um caneco
verde de esperança
cheio ao por um doce no lábio
parei-me ali, após o banho,
com os cabelos lisos
e o perfume da barba feita
que desenhei sem seu beijo
imaginando-o sorrindo
e me deixando alisar seus pêlos
no braço e na nuca 
enquanto ainda ficava comigo sentado
acesos que éramos viventes
e me contive aqui
erguendo à boca
minha combinação de doce falso
embebendo-me da lembrança sua
essa companheira de riqueza
matinal ou de madrugada
também de quando eu voltava do trabalho
procurando seu sorriso na fechadura
tenho o silêncio ao lado
na casa grande agora
sem você comigo
cotidiano preso na memória
vadiando seu cheiro e presença de sonho
faltou-me rever sua vinda
por correr junto à cama
depois da mesa
que eu lhe ensinei como esquecer
espero que amanhã
ao me sentar,
insistindo em reviver nesta casa outra,
você possa me abrir
de novo que seja
numa carta
ou ligação cobrada,
nosso afeto por vir de mudança
ter você voltando
na história que guardo
para sermos mais perto
um do outro moradores
onde o amor nos acende o dia-todo de viver
 
 
 
 
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